19 de nov de 2009

Entrevista

Entrevista:


Para conhecermos melhor o comportamento sexual do adolescente com Síndrome de Down, procuramos Ana Paula Peertussati, psicóloga da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais ).


De que forma a APAE trabalha com a sexualidade dos portadores da Síndrome de Down?

"Aqui na APAE, existe um programa de educação sexual 1 vez por semana, onde de forma natural e esclarecedora, comentamos sobre o orgão reprodutor masculino, orgão reprodutor feminino, masturbação e noção corporal sobre higiene. A maioria sabe o que é transar ( termo usado pelos portadores ), manifestam interesse pelo sexo oposto, portadores da Síndrome ou não , são carinhosos, quase não existe o sentimento ciúmes e não há também critérios de beleza.
É errôneo dizer que a sexualidade dos portadores da Síndrome de Down tenham uma "sexualidade mais Aflorada", na verdade a sexualidade deles é igual a de qualquer indivíduo comum, com a diferença de que os portadores da Síndrome não possuem a auto-censura e acabam manifestando os seus desejos em ambientes inapropriados. Muito desse comportamento se deve à falta de orientação ou repressão por parte dos pais.
Há pais que negam a sexualidade dos filhos , alguns inclusive querem determinar a idade para que seus filhos comecem a ter uma vida sexual ativa, dizendo : " meu filho só vai começar a transar quando ele fizer 21 anos". Existe o oposto, que são aqueles pais que encaram a sexualidade de seus filhos de forma natural, orientando-os com métodos contraceptivos e parceiro fixo. As diferentes opiniões por parte dos pais sobre a sexualidade dos adolescentes portadores da Síndrome de Down, independe de grau de escolaridade ou nível sócio-econômico.
É um trabalho árduo, mas muito gratificante".


Entrevista realizada na APAE em 17/11/2009.